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Ryūnosuke Akutagawa (ou, segundo a ordem japonesa, Akutagawa Ryūnosuke) continua hoje a ser lido e admirado por praticamente todos os japoneses como um dos mais proeminentes estilistas do país, um mestre da língua moderna, enriquecida por um profundo conhecimento dos clássicos e da literatura contemporânea do Japão, da China e do Ocidente. Nascido em Tóquio, em 1892, foi criado numa família imersa na cultura tradicional japonesa, aprendeu Inglês durante a infância e demonstrou ser um aluno brilhante nas mais proeminentes instituições académicas do Japão. Começou a organizar e a escrever para publicações estudantis com dez anos de idade e, ainda antes de se ter licenciado na Universidade Imperial de Tóquio (hoje Universidade de Tóquio) em 1916, em Literatura Inglesa, os seus contributos para as revistas da universidade foram reconhecidos pelo seu estilo refinado. Ganhou a vida como professor de Inglês durante cerca de dois anos, mas a grande procura pelas suas histórias e pelos seus ensaios permitiu-lhe abdicar do emprego em 1919 e concentrar-se na escrita. Tendo rapidamente começado a duvidar da sua própria dependência de materiais clássicos chineses e japoneses na sua ficção, correspondeu aos pedidos de mais obras autobiográficas, revelando a sua angústia pessoal pela condição de filho de uma mulher louca, de jovem frágil dividido entre os seus pais adoptivos e biológicos, de leitor compulsivo assustado com a vida real, de chefe de família consciencioso oprimido pelas responsabilidades, de marido e pai dedicado destruído pela culpa dos seus casos extraconjugais, de detentor de um intelecto implacável, incapaz de encontrar paz na religião e de uma personalidade paranóica receosa de ser esmagada pela insanidade que estava certo de ter herdado da mãe. Quando se suicidou em 1927, com trinta e cinco anos de idade, deixou uma obra única de histórias marcadas por brilho imagético, cinismo, horror, beleza, humor extravagante e clareza glacial. |