O que mais impressiona nas obras de Lars Saabye Christensen é a sua capacidade de moldar o discurso em função dos personangens em que se vai centrando. No caso de Herman, uma criança na idade da escola primária, o desafio para o autor foi tremendo: recuperar aquela inocência e lógica infantil de quem ainda está a construir a sua percepção do mundo. É essa perspectiva refrescante e essa descoberta da imensidade do mundo que Christensen transmite ao leitor de forma perfeita.
Na tradição dos grandes escritores nórdicos a escrita de Christensen, aparentemente despida de “enfeites” literários, atinge um nível de depuração linguística mais próximo da poesia que de qualquer outro estilo.
Aquela que parece ser uma história simples sobre uma criança que vive o seu primeiro drama e sofre a primeira rejeição por parte dos que a rodeiam, é um lúcido ensaio sobre a formação da identidade e as relações da criança em formação com a sociedade.
Este romance recebeu o Prémio da Crítica em 1988 na Noruega, na Suécia e na Dinamarca (feito inédito até hoje).
O estilo de Christensen e o conteúdo universalista das suas obra levaram a que o autor tenha já sido proposto diversas vezes para o Nobel da literatura.
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