"Lars Christensen escreve sobre a tolerância" in Diário de Notícias, 03/03/2004
Um livro sobre a tolerância e as dificuldades em lidar com a diferença é como Lars Saabye Christensen apresenta Herman, primeiro título do escritor norueguês editado em Portugal. Na obra, a criança protagonista enfrenta uma progressiva perda de cabelo, o que, de acordo com o escritor, «é uma metáfora do que sucede quando alguém se torna diferente» e também uma forma de mostrar «a dificuldade que é ser-se estranho aos olhos dos outros».
O livro - com chancela da Cavalo de Ferro e que foi lançado ontem na Fonoteca Municipal de Lisboa com a presença do autor e do embaixador da Noruega em Portugal, Arnt Magne Rindal - junta-se à já vasta obra de Christensen, onde constam uma dezena de volumes de poesia, três de contos e 12 romances.
Herman, que Lars Christensen afirma ser um livro «de riso e lágrimas» e uma obra sobre a tolerância, contém, como o escritor revelou à Lusa, muitas impressões da sua infância, caso da descrição «das ruas e de diversos lugares que existem realmente».
Lars Saabye Christensen acredita ser «um escritor local», mas defende que um autor que, na sua escrita, parta dos lugares que melhor conhece, pode conseguir ser universal, apresentando como exemplo José Saramago, um dos seus narradores favoritos.
Autor também de peças de teatro e guiões para o cinema, o escritor norueguês diz ser, acima de tudo, «um contador de histórias» e alguém que pretende «escrever com poesia», através dos diversos géneros literários.
Com diversos galardões no currículo, entre os quais o Prémio do Livro Nórdico, Lars Christensen diz-se muito entusiasmado com as traduções da sua obra, já disponível em países como a Alemanha, Itália, Polónia, Roménia, Suécia, Holanda, Espanha, Reino Unido e EUA. «Para um autor norueguês, cuja língua é pouco divulgada internacionalmente, o mais inspirador é ser traduzido e encontrar leitores, ainda que as distinções literárias sejam importantes», afirmou à Lusa.
A história de Herman - livro originalmente editado em 1988 e já publicado em dez países - foi adaptada ao cinema por Lars Saabye Christensen num filme realizado por Erik Gustavson.