Onde reside o sucesso de um livro? Por que será eterna a memória das malfeitorias provocadas pelos mais ignóbeis piratas? A resposta a estas questões talvez explique a fabulosa atracção provocada por esta obra desde que se iniciou a sua publicação em Londres, no ano de 1724. Se Daniel Defoe esteve ligado somente às primeiras edições e a misteriosa figura do Capitão Charles Johnson ficciona final só romanescas aventuras de alto mar mas relata também casos verídicos confirmads por provas irrefutáveis, então o deleite da leitura alargar-se-á ao maravilhoso campo da interpretação histórica. A prosa é de um estilo requintado sem nunca se perder em desvaneios formais e serve perfeitamente o entusiasmo narrativo com que se perseguem as façanhas executadas durante as vidas destes 20 senhores (e senhoras), poderosos donos da agitada circulação maritíma daquela época. A globalização do comércio de todo o género feito através dos oceanos, e iniciado de forma tão criativa pelos portugueses, deu lugar a uma enorma zona-sombra praticamente virgem no que respeitava às boas práticas de convivência comercial ("...") De tudo isto trata o incógnito escritor Charles Johnson na sua "História geral.. ", e fá-lo com a elevação moral de quem se permite retractar os maus actos e acusar os maritímos meliantes.